Tom Clancy’s Ghost Recon: Future Soldier – Análise

22 de Maio de 2012
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Tom Clancy’s Ghost Recon: Future Soldier – Análise

Gears of Recon: Future Warfare.

 

Versão testada: Xbox 360

Já passaram cerca de 5 anos desde que Ghost Recon: Advanced Warfighter 2 foi lançado o qual reforçou a posição singular do primeiro numa indústria que iria vibrar com o género, mas que na altura estava ainda a dar os primeiros passos. Já na altura GRAW foi pioneiro na implementação de um enquadramento credível na sua narrativa, as novelas políticas de Tom Clancy traziam para os jogos enredos a lembrar o que se ia vendo em séries na TV, assim como nos deu uma vertente mais tática ao género de ação na terceira pessoa. Se no seu enredo GRAW nos deu algo arrojado, na sua gameplay deu-nos algo que poderia ser equiparado a outros, como Gears of War na altura, mas que não era propriamente igual, era algo seu.

Arrebatador e singular em 2006, reforçado em 2007, pode Ghost Recon regressar em 2012 e manter-se igualmente relevante para a indústria ou terá perdido demasiado tempo para voltar a conquistar uma posição entre a elite do género? Essa é uma tarefa e um desejo que a Ubisoft pretende alcançar e para isso colocou a Red Storm Entertainment a trabalhar em conjunto com a Ubisoft Paris (outra veterana na série) e com a Ubisoft Bucareste, uma estreante em Ghost Recon. Por outro lado, Future Soldier representa uma espantosa oportunidade para o debate sobre se as séries anuais podem verdadeiramente manter o fulgor ou se o descanso pode fazer bem à série e aos fãs.

Os Soldados do Futuro:

Ghost Recon: Future Soldier faz precisamente o que o título nos diz, coloca-nos no papel de soldados do futuro, com arsenal e engenhocas a condizer, cujas missões devem ser cumpridas com rigor e como se fossem fantasmas, já que caso algo corra mal o envolvimento e aprovação do governo Norte Americano será sempre negado. Para dar um tom mais pessoal ao enredo, e facilitar a apresentação das personagens principais deste pelotão de quatro, Future Soldier foca-se bem no ser humano por detrás da máquina de guerra, mas sem alguma vez incomodar o jogador com isso, sempre com estilo.

Mas aqui é mesmo pessoal, uma equipa de Ghosts é eliminada numa missão que parecia completamente rotineira mas que corre mal e o governo Norte Americano e os restantes colegas não olham para isto de ânimo leve. As consequências são uma ativa investigação e perseguição das pistas que vão surgindo e a partir daqui segue-se uma viagem em redor de quatro continentes que rapidamente vai alternando entre o conflito furtivo e bélico, com o tom épico que eventos políticos de consequência mundial podem incutir. Tom Clancy a par do seu melhor desde que foi transportado para os videojogos.

Desde os primeiros instantes que o jogador vai perceber que estes Ghosts não são bem iguais e desde os tempos de Mitchell que muita coisa mudou. Se Advanced Warfighter tinha um ritmo mais lento e tático, Future Soldier aposta num ritmo mais elevado e mais dinâmico e quando facilmente poderia correr o risco de perder a personalidade GRAW, Future Soldier implementa mecânicas de jogo que o distinguem e o fazem manter-se como um Ghost Recon. Vai ser o combinar de diferentes elementos de jogo que vão criar uma personalidade própria para o mais recente da Ubisoft e que nos vão conquistar com a sua facilidade e diversão.

Future Soldier é um jogo de ação na terceira pessoa com a mecânica bem característica que quando o jogador prime o botão para usar a sua arma a visão passa para a primeira pessoal, dando uma melhor perspetiva sobre a ação. Isto oferece ao mesmo tempo uma maior ligação com as personagens que a perspetiva na terceira pessoa permite e oferece um campo de batalha mais envolvente como um jogo de ação na primeira pessoa nos dá. Tudo feito de forma altamente fluída e que se vai sentir do mais natural que alguma vez vimos. A isto temos ainda que juntar um sistema de cobertura que é altamente essencial na filosofia do jogo, juntamente com um altíssimo castigo sobre atitudes irresponsáveis e assim estão reunidas as pedras base do jogo.

Recuperando o sistema de cobertura dinâmico estreado em Splinter Cell: ConViction, Future Soldier contorna a monotonia que se vai instalando neste elemento tão marcante no género nesta geração. Isto quer dizer que o jogador pode encostar-se a um posto de proteção e alternar de forma dinâmica com outro para progredir rapidamente entre pontos de cobertura de forma sucessiva. Para isto basta apontar a câmara para o local desejado enquanto em cobertura para em seguida começar a correr para o destino com um efeito bem intenso. Isto não é propriamente novo mas aqui é feito com toda uma graciosidade que imprime alto dinamismo na gameplay e sentimos prazer na ação e sentimos que existe razão e recompensa quando feito.

Future Soldier não é um jogo de ação peito aberto e a componente furtiva ganha muito maior destaque do que o recurso constante à cobertura pode passar. Várias missões forçam à cautela, a que não sejam vistos, e a camuflagem entra em ação. Sempre que esteja agachado ou deitado, a camuflagem entra em ação e isto vai permitir que confundam os inimigos. É desta forma que Future Soldier tenta imprimir um espírito mais tático a esta fórmula tão conhecida e é assim que tenta incentivar o jogador a ser mais estratega. Flanquear adversários, ser sorrateiro e furtivo no campo de batalha, optar entre conflitos abertos ou assassinar alvos específicos na calada, Future Soldier deixa que o jogador decida como quer prosseguir mas avisa-o que existem riscos e recompensas nos diferentes comportamentos.

Se Advanced Warfighter fazia destaque dos comandos que o jogador poderia exercer sobre a sua equipa, Future Soldier livra-se disso e dá-nos o que podemos chamar de controlo tático dinâmico. Isto quer dizer que não mais fazemos a micro-gestão do esquadrão antes das missões ou que somos forçados a ditar o seu comportamento a todo o momento. Aqui a inteligência artificial é responsável pelos outros três elementos, bem competente diga-se, e o jogador ganha poder tático sobre eles com simples ações que como são básicas no seu uso do jogo se tornam intuitivas e naturais.

Sempre que o jogador está a ver algum inimigo, veículo ou colega deitado no chão, pode marcar esse ponto desejado e a sua equipa reage de acordo. Se quiserem podem marcar alvos que a equipa posiciona-se para os eliminar e é só comandar que disparam. Isto caso não estejam em conflito aberto. Nesse caso podem assinalar qual o inimigo que querem ver os tiros concentrados ou simplesmente assinalar alvos estratégicos para foco de fogo. Isto vai permitir que a IA os flanqueia ou concentre o seu fogo para que o jogador possa progredir.

Isto resulta num jogo que se sente na mesma tático e com foco no planeamento estratégico no campo de batalha, é preciso atenção a pontos importantes nos cenários, mas sem os constrangimentos de outrora. É tudo muito intuitivo e natural, muito imediato, pois se na maioria dos casos estamos a fazer mira para disparar, marcar um inimigo é fácil e não precisa de tarefas adicionais, por exemplo. Por outro lado, este comportamento é mesmo premiado pois a forma como a inteligência artificial reage é motivador.

Para aumentar a longevidade, e especialmente revigorante quando combinado com a possibilidade de jogar a campanha em cooperativo até quatro, temos objetivos secundários que nos permitem ganhar bónus para as armas e para a personalização. Em todas as missões temos um conjunto de quatro objetivos secundários que vão desde varrer determinada zona em determinado espaço de tempo a não levantar alarmes, e estes objetivos imprimem mesmo a vontade de tentar diferentes comportamentos e de testar novas abordagens.

Os Gadgets do Futuro:

Tal como os mais atentos viram na E3 do ano passado, a Ubisoft fez questão de mostrar o elevado nível de personalidade que podemos ter com as armas e tal é dado ao jogador sem reservas. Apesar de ser dado um par pré-definido e aconselhado de armas antes de cada missão, podemos nós próprios personalizar e escolher quais as armas que queremos levar para a missão. No ecrã de personalização temos uma interface do mais detalhado que já vimos mas que ao mesmo tempo é simples de navegar e controlar.

O jogador escolhe a arma e a partir daqui tem toda uma panóplia de possibilidades de personalização, desde miras, canos e todos os diversos aspetos que compõe uma arma. Caso queira algo mais simples e não tão detalhado, pode escolher entre quatro pré-definições base que se concentram no equilíbrio, alcance ou força que pretendem a que a arma se ajuste. É um dos toques mais interessantes que vemos no jogo e um toque que vai ganhar o devido destaque entre os mais ferrenhos adeptos do jogo. Caso tenham a versão Xbox 360 podem ainda recorrer ao Kinect para estes momentos e mostrar aos amigos como são porreiros ao recriar o mais perto que é possível Tom Cruise em Minority Report.

Mas não é só nos menus que Future Soldier nos vai espantar com os seus gadgets. Ao longo de toda a campanha vamos ter arsenal de ponta que realmente afeta a gameplay e a faz ganhar destaque. Desde cedo temos as granadas de reconhecimento que nos permitem aceder a informação visual de todos os inimigos no espaço abrangido. Imaginem que um inimigo está atrás de uma parede mas caso esteja dentro do espaço abrangido pela granada vão estar presente no visor. De igual forma as diferentes visões que temos ao longo do jogo, térmica ou noturna, permite um melhor reconhecimento do posicionamento inimigo no campo de batalha e vão mesmo ser obrigatórias.

Outros momentos de destaque vão para o uso do drone, que pode ser usado em terra ou no ar, e que vão ditar diferentes comportamentos no jogador. Posicionados longe da vista dos inimigos, podem usar o drone para voar pelo cenário, dentro do limite do sinal de receção, e assinalar posições inimigas para os colegas de equipa abater ao nosso comando. É uma das formas de imprimir tática dinâmica e fluída à gameplay que nos deu prazer conhecer e se por vezes sentimos que estávamos a enganar o jogo, ao evitar o confronto direto, por outro sentimos enorme gosto por o jogo nos ter mostrado que ser estratega pode ter recompensas.

Há Algo Fisher Aqui:

Não é só na gameplay que Future Soldier vai buscar inspiração à outra série de renome da Ubisoft. Também na sua apresentação Future Soldier pega em elementos de Splinter Cell: ConViction e apresenta-os com belo efeito. Tendo em conta que estes são soldados do futuro equipados com tecnologia de ponta, com destaque para os óculos que são destaque em muita da arte promocional ao jogo, é normal que a informação seja espalhada ao longo do campo de visão do soldado. O efeito encantador que isto tem no jogo é uma combinação da visualização do cenário com texto e informação por cima dando a impressão que alguém andou mesmo a escrever texto pelas ruas e no céu.

Em termos de apresentação, Future Soldier recorre a este elemento para conseguir enorme estilo e ao mesmo tempo mantém-se enquadrado com o tom militar que deseja. É um dos melhores trunfos no design de ConViction e é fantástico ver que não foi esquecido e mais do que isso, está a ter muito bom uso. Nesta viagem pelo globo para evitar uma trama de contornos mundiais, a equipa de Ghosts vai percorrer planícies em África, varrer aldeias na América do Sul e Médio Oriente assim como se vai infiltrar em bases militares na Europa. O que isto representa em termos gráficos para o jogador é uma enorme variedade de ambientes e oportunidades.

Vamos já ser diretos, Future Soldier não é um jogo de antologia a nível visual mas é um jogo que cumpre de forma bem responsável e que em alguns momentos nos vai surpreender. Com um motor gráfico bem capaz e que cumpre sem grandes alaridos, Future Soldier vai-nos dar momentos repletos de intensidade que ganham mais força com o recurso a alguns belos efeitos de iluminação e jogo de cores. É um jogo capaz de nos dar momentos que ficam connosco e a componente visual faz parte desse momento. No entanto, outros aspetos revelam uma componente gráfica mais fragilizada e até a roçar o mediano. É infeliz que Future Soldier não consiga apresentar maior consistência a nível gráfico e que nem sempre esteja no seu melhor mas podemos dizer que a nível geral é um título que satisfaz e que quando nos surpreende, surpreende mesmo.

Um dos grandes destaques do jogo é mesmo o trabalho de câmara que é realizado aqui. Em momentos mais intensos pode elevar a fasquia e faz com que não falte nada. Imaginem que estão em cobertura mas que o inimigo sabe onde estão, os disparados intensos sucedem-se e ficam encurralados debaixo de fogo, aqui a câmara foca-se ainda mais no jogador enquanto este se agacha mais e treme ligeiramente para um efeito bruto e cru. Algo que combinado com o comando a tremer ganha um efeito a ser elogiado.

Multijoga comigo:

Como seria de esperar, Future Soldier também se atualizou no que diz respeito ao multijogador e também neste departamento se mostra bem competente. Com uma vertente competitiva que está perfeitamente enquadrada com os que vamos vendo nos títulos de maior êxito atualmente, Future Soldier coloca todas as suas ferramentas e possibilidades ao dispor dos jogadores que se queiram enfrentar em campos de batalha inspirados nos cenários que percorremos ao longo da campanha.

Enquanto o competitivo se mantém dentro do que temos nos outros jogos, todos contra todos por equipas com possibilidade de escolher entre modos por objetivos, como Sabotador e Conflito (que os fãs tiveram a oportunidade de testar na beta), com recompensas a premiar opções de personalização de personagem mais amplas, em Future Soldier o destaque vai para o modo Guerrilla, a versão ubisoft do modo Horde que conquistou o mundo em Gears of War 2.

Em Guerrilla pode até um máximo de quatro jogadores cooperar para conquistar zonas de conflito para em seguida as ter que defender de sucessivas vagas de inimigos. Após algumas vagas a equipa de jogadores tem que se dirigir a novo local para o conquistar e voltar a defender. É uma mecânica mais dinâmica e que mais do que fazer para se distinguir, implementa no já clássico modo um sabor Ghost Recon. Temos na mesma um premiar do uso das ferramentas tecnológicas que temos ao nosso dispor, sendo possível uma abordagem direta aos tiros como também podemos ajudar a equipa e assinalar inimigos, flanquear adversários e tentar ser o mais furtivo possível.

A Ubisoft fez mesmo questão de mostrar como este modo poderia beneficiar o jogo e não nos vai admirar que se torne numa das principais facetas de Ghost Recon no futuro. Especialmente porque, a par da campanha em modo cooperativo, foi dos modos que mais fascínio nos trouxe. Vamos dizer que somos uns tipos que prefere um bom cooperativo a qualquer competitivo, especialmente um cooperativo competitivo com estatísticas e tabelas de pontuações, e facilmente começam a perceber porque as recriações de modos assentes nestes moldes nos conquistam.

Por outro lado temos aqui os já considerados tradicionais mecanismos de prolongar a longevidade de um título e quando temos uma campanha tão prazerosa de jogar combinado com um modo cooperativo de suporte, simplesmente não conseguimos resistir a Future Soldier. Não é que o jogo faça algo de propriamente novo mas a capacidade de pegar em si mesmo, adaptar-se na perfeição passados 5 anos e ainda piscar o olho a alguns estúdios é de louvar, mesmo que não consiga ser completamente feliz.

O novo trabalho da Ubisoft perde um pouco da inconveniência que alguns elementos da componente tática iriam ter agora em 2012, surge atualizado para os padrões dos dias de hoje, com um elevado aparato cinematográfico a lembrar o tom “hollywood” de Call of Duty mas sem nunca perder a sua sobriedade, querendo isto dizer que Ghosts são Ghosts e tem que dar honra ao nome. Do início ao fim Future Soldier sente-se como um verdadeiro Tom Clancy e se gosta de trama e intriga política a nível mundial então não se deve fazer rogados.

Ghost Recon: Future Soldier é um exemplo fascinante de como uma série pode pedir vários elementos emprestados enquanto mantém as suas bases fieis para se ajustar ao presente. Desaparecida desde 2007, a série volta a conquistar relevância no panorama atual e é uma alternativa mais do que válida pois aquilo que é seu ganha imenso destaque quando misturado com elementos tão conhecidos de outras séries. Caso lhe permitam podem descobrir aqui um dos grandes jogos de 2012, quem sabe um “sleeper hit” como costumam dizer alguns.

 

Fonte: Eurogamer

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Autor

Filipe Almeida

Criador e fundador do Portal Xbox Portugal juntamente com a "PXP Team". O Portal Xbox Portugal foi criado com o objectivo de recolher informações e notícias sobre o mundo da Xbox e juntar tudo num local para que tem interesse por esta plataforma, ter tudo filtrado num único sítio.