Syndicate – Análise

21 de Fevereiro de 2012
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Syndicate – Análise

Reboot não tão brilhante como o original.

 

Versão testada: Xbox 360

Lançado originalmente em 1993, Syndicate era um jogo de estratégia em tempo real produzido pelo mítico estúdio Bullfrog, de Peter Molyneux. Naquela época foi altamente aclamado pela sua temática futurista, elevada brutalidade nos combates entre agentes como nunca nada igual tinha sido visto. Posteriormente, recebeu duas expansões prolongando a experiência do jogo original. Mas depois, Syndicate caiu no esquecimento e a marca nunca mais foi utilizada, até agora.

A Electronic Arts decidiu que era altura para revitalizar Syndicate. No ano passado Deux Ex: Human Revolution provou que nunca é tarde para regressar em grande ( embora Syndicate seja mais antigo que Deus Ex) e que a temática futurista tem margem de manobra para grandes estórias e jogabilidade incrível cheia de tecnologias capazes de coisas que apenas são reais nos nossos sonhos.

O potencial de Syndicate é enorme. Passaram-se 19 anos desde o lançamento do original e a evolução dos videojogos nesse período foi imensa. É sempre curioso ver como um jogo lançado há anos atrás é transportado para a atualidade, principalmente um título de estratégica como Syndicate, que utilizava uma perspetiva isométrica, não muito comum hoje em dia.

Para realizar a tarefa da produção do reboot a Electronic Arts escolheu os estúdios Starbreeze, que nos trouxeram The Chronicles of Riddick e The Darkness. Num passo que muitos consideram natural a seguir, o jogo foi transformado num Syndicate FPS. O original era um jogo de estratégica, mas o género está fortemente associado ao PC e tem vindo a perder popularidade entre as massas para os shooters, pelo que esta decisão faz todo o sentido.

Syndicate leva-nos para o cenário futurista do ano de 2069. A tecnologia evoluiu de tal forma que é possível implementar chips nos humanos aumentado as suas capacidades e transformando-os em maquinas assassinas sem qualquer tipo de sentimento. Os países e respetivas fronteiras deixaram de existir, as potencias mundiais são agora mega-companhias, sem qualquer tipo de escrúpulos conhecidas como “Syndicates”, que competem entre si pelo domínio global.

Kilo é um dos agentes dessas companhias, a EuroCorp, e é quem controlámos ao longo da campanha, que em grande parte resume-se numa busca por uma cientista da EuropCorpo que foi raptada por uma companhia rival. Na parte final há uma revelação que diz respeito ao protagonista, mas tirando isso, a estória é uma grande desilusão. As personagens são desinteressantes e não há uma tentativa para desenvolve-las mais. E quando digo estória, estou a ser simpático, porque na verdade quase não não há uma estória.

As várias missões são ligadas por um pequeno briefing da voz artificial que Kilo tem na cabeça graças ao seu chip Dart 6., e que não são o suficiente para que a estória ganhe relevância. O jogo também falha em dar a conhecer uma visão vasta de como é o mundo no ano de 2069, decorrendo sempre em ambientes fechados que não nos dão verdadeiramente a conhecer como é o futuro. Para mim um dos maiores interesses em jogos futuristas é ver como evoluíram as grandes metrópoles e como o quotidiano das pessoas mudou com o progresso da tecnologia, e Syndicate falha imenso nesse aspeto.

Uma das vantagens de ter um chip implementado no cérebro são as habilidades que este traz aos que o possuem. Em Syndicate as armas continuam a representar uma grande parte dos combates, mas também há um pouco de guerra cibernética. Kilo consegue hackear os chips dos inimigos e levá-los a fazer ações contra a sua vontade, tais como suicídio ou lutar do seu lado. A mesma habilidade também pode ser utilizada em armas automatizadas que estão programadas para nos abater, pondo-as a combater contra os nossos inimigos.

Estes chips implantados no cérebro estão ligados ao nosso sistema de adrenalina, o que dá a Kilo a habilidade ver tudo em câmara lenta e através das paredes durante alguns segundos. Juntem isto à possibilidade de executar um inimigo simplesmente carregando no R3 (corpo-a-corpo) e Kilo é capaz de lidar com esquadrões de equipas táticas numa questão de segundos.

A jogabilidade é satisfatória, mas nem sempre dá uma sensação de poder ao jogador. Existe um sistema de cobertura e somos obrigados a usá-lo constantemente para evitar a morte. Portanto, apesar das habilidades de Kilo, não podemos avançar e correr contra os inimigos num frenezim de tiros, o que acaba por arruinar a diversão. Para quê ter habilidades especiais se por vezes temos até que fugir para encontrar um sítio para nos protegermos?

Isto acontece porque Syndicate usa “truques baratos”, como convenientemente fechar todas as portas de uma área e mandar vagas e mais vagas de inimigos. Esta técnica é usada demasiadas vezes em Syndicate, o que torna o design dos níveis desagradável e repetitivo. Há situações em que Kilo tem que hackear dispositivos para poder continuar a avançar, mas são partes extremamente simples em que basta carregar no LB e está feito. A Starbreeze poderia ter elaborado mais estas partes pois havia potencial para algo interessante.

E depois temos os confrontos com os bosses, que são os melhores momentos que a campanha consegue oferecer e que mostram que Syndicate poderia ser mais um FPS que simplesmente avançamos pelos níveis eliminado as forças inimigos. Dependendo dosbosses, teremos que usar as habilidades de Kilo para reencaminhar misseis e usar o ambiente a nosso favor. No final somos recompensados com uma animação violenta em que inserimos um dispositivo no olho ou ouvido do bosse e retiramos o seu chip, o que nos garante um ponto para melhoramos as nossas habilidades. As habilidades não são nada de extraordinárias, mas ajudam, aumentando a saúde, resistência a explosões, recarregar as armas mais rápido, entre outras melhorias.

A complementar a curta campanha, estão as nove missões cooperativas exclusivamente online para quatro jogadores. Achei as missões bastante semelhantes a Brink, em que trabalhamos em conjunto com os nossos parceiros de equipa para cumprir os objetivos propostos. Estando separadas da campanha, as missões cooperativas têm lugar em sítios completamente novos e deixam-vos usar as vossas habilidades cibernéticas, não só para causar danos nos inimigos como para curar os vossos companheiros. As missões acabam por ser um bom complemento para a campanha, e acrescentam algumas horas extra, mas depois de as completarem, acabou, Syndicate não tem mais nada para oferecer.

Um modo multijogador não estaria em falta se a Starbreeze tivesse investido numa campanha maior e de melhor qualidade. Assim, a juntar às falhas já referidas, Syndicate é também uma experiência não muito longa. O multijogador nos FPS já se tornou num cliché, com quase todos os jogos a oferecerem praticamente os mesmos modos apenas com ligeiras diferenças, mas se Syndicate tivesse um modo multijogador, pelo menos teria mais qualquer coisa para compensar o jogador pelo dinheiro gasto no jogo.

Graficamente não há nada de impressionante, mas há dar mérito pelo visual futurista que a Starbreeze conseguiu criar nos interiores, onde predomina a simplicidade, hologramas e luzes néon. Na verdade, há alguns momentos em que faz lembrar Deux Ex: Human Revolution, é pena é que não tenha havido uma oportunidade para um nível no exterior.

Syndicate é então um título que poderia ser bastante melhor e que tinha tudo para triunfar, inclusive um nome poderoso e um cenário rico com muitas possibilidades de exploração. Não é um jogo mau, mas fica-se pelo razoável. Há propostas bem melhores no mercado se procuram ficção científica.

 

CLASSIFICAÇÃO:

3/5

 

Fonte: Eurogamer

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Autor

Filipe Almeida

Criador e fundador do Portal Xbox Portugal juntamente com a "PXP Team". O Portal Xbox Portugal foi criado com o objectivo de recolher informações e notícias sobre o mundo da Xbox e juntar tudo num local para que tem interesse por esta plataforma, ter tudo filtrado num único sítio.