Max Payne 3 – Análise

04 de Junho de 2012
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Max Payne 3 – Análise

O velho Max com os velhos truques num clima tropical.

 

Versão testada: PlayStation 3

Ao meu primeiro contacto com Max Payne 3 não consegui deixar de perguntar, será que há necessidade de outro shooter no mercado dos videojogos? Pondo de parte a óbvia nostalgia dos jogos anteriores, que já são considerados clássicos, Max Payne 3 não traz nada de novo ao género. É um shooter entre muitos outros shooters que já estão estabelecidos nesta geração de consolas. A única diferença entre eles e Max Payne 3 é que este último adiciona elevadas doses de slow-motion tornando tudo mais estiloso.

Olho para Max Payne 3 como um último “Hurrah!” desta personagem badass que esteve ausente durante muito tempo. É uma forma de dar um final feliz à atormentada vida de Max, que está em agonia desde a morte da sua mulher e filha. Para isso é imprescindível um novo começo.

Max Payne 3 é um capítulo completamente novo na vida de Max. Longe ficaram as ruas escuras e sombrias de New Jersey para dar lugar ao clima tropical do Brasil, mas os problemas do passado não desaparecem simplesmente ao mudar de paisagem. Max continua um caos, sempre a beber, sempre ressacado e sempre com a cabeça num lugar completamente diferente. O estilo de vida ao longo dos últimos anos deixou Max velho e cansado.

Nem tudo é mau. Como um bom whiskey, Max melhora com a idade. Embora não se possa gabar do físico e agilidade de um jovem, é um osso duro de roer que caminha com a dor de mãos dadas. E a idade também lhe trouxe sabedoria e experiência. Foram estas suas qualidades que levaram um velho amigo de Max a convidá-lo para trabalhar como segurança privado para a família Branco, uma das mais ricas e poderosas de São Paulo.

É um trabalho que supostamente deveria pagar bem e ser fácil, mas acaba por abrir mais um capítulo negro na vida de Max. O conflito começa numa festa de cocktails num dos arranha-céus de São Paulo, em que um gangue das favelas rapta a mulher de Rodrigo Branco, o chefe da família. Ainda marcado pela morte da sua mulher e filha, Max promete fazer todos os possíveis para a resgatar.

O rapto acaba por ser apenas a ponta do iceberg, dando lugar a um enredo enorme que se estende em 16 capítulos longos. É bem claro que a Rockstar não teve pressa em por um final no modo estória, mas para o género em que Max Payne 3 está inserido, prolonga-se demasiado. Nem sempre a longevidade é algo positivo. No caso de Max Payne 3, a longevidade acaba por torná-lo repetitivo devido à falta de variedade na jogabilidade.

A forma como a Rockstar decidiu contar a estória também não ajuda, recorrendo sempre a cinemáticas que interrompem a gameplay para contar os pontos chave do enredo. Alternar entre cinemática e um segmento de gameplay é uma fórmula simples para desenvolver a estória e que resulta, mas que torna tudo menos interessante, principalmente quando os seus 16 capítulos não são mais do que tiroteio atrás de tiroteio com a voz de Max a narrar por o que lhe vai na cabeça. E apesar dos seus truques serem inicialmente espetaculares, disparar no ar em câmera lenta ou apenas disparar em câmera lenta perde esse efeito pelo uso excessivo que o jogo nos obriga a dar-lhe, insistindo capítulo após capítulo em colocar-nos numa pequena área contra meia dúzia de inimigos, tornando a falta de criatividade evidente.

Mas já os anteriores Max Payne não era mais que uma troca de chuva de balas entre Max Payne e os seus inimigos, a questão é que estamos em 2012, e não em 2001. Enquanto que permanecer verdadeiro às suas origens joga a favor de alguns jogos, para outros há uma necessidade absoluta de evoluir. Max Payne 3 sofre por ser demasiado igual aos anteriores, a única diferença é que tem um motor de jogo muito melhor com animações de luxo.

Sendo o shooter mais shooter que podem encontrar, a Rockstar não poupou a quantidade de armas incluídas em Max Payne 3. Existem armas de todos os géneros e variedade, mas nada dá tanto gozo como o Dual wielding, que eclipsa tudo o resto e combina perfeitamente com Max. Seja qual for a arma que escolherem, Max Payne 3 apresenta-se como um jogo de violência brutal em que é possível ver os buracos das balas nos corpos dos inimigos, e ainda em câmera lenta quando já só sobrar um de pé.

Max pode ser muito bem comparado ao Rambo ou Bruce Willis na série de filmes Die Hard. É capaz de sobreviver às agressões mais brutais e levantar-se no minuto a seguir pronto para mais. Os seus analgésicos desempenham aqui um papel fundamental. É difícil sobreviver ao fogo cerrado sem recorrer pelo menos a um analgésico. Lidar com a IA dos inimigos também acrescenta mais dificuldade, que se esconde de imediato atrás de proteções e apenas levanta a cabeça por breves segundos.

A narrativa é um dos pontos mais invulgares, combinando uma perspetiva entre a primeira e terceira pessoa. À medida que o jogo decorre, Max narra o que lhe vai no pensamento. A relação entre o jogador e a personagem é assim mais profunda. Max não é apenas a personagem que controlamos, é uma espécie de companheiro enquanto estamos a jogar que se desenvolve no processo. Max começa como um viciado em compridos e alcool e transforma-se lentamente em alguém com um propósito e que busca a justiça acima de tudo o resto. É como se recuperasse parte da sua identidade perdida.

A Rockstar é conhecida por levar o tempo que achar necessário no desenvolvimento, e os resultados costumam valer a pena o tempo dedicado, mas com Max Payne 3 isso é questionável em alguns aspetos, noutros, é inegável que o jogo brilha e exibe o selo de qualidade Rockstar, e nota-se que fez os trabalhos de casa na recriação de São Paulo. A atmosfera é envolvente, contagiante e fiel, tornando de imediato o ambiente em que o jogo se insere memorável. O Brasil de Max Payne 3 é tudo o que se podia exigir e mais alguma coisa. O mais impressionante é que não houve medo em recorrer ao português para tornar tudo muito mais credível, que apesar de ser a quinta língua mais falada no mundo, não é das mais populares nos maiores mercados dos videojogos.

A complementar o modo estória estão os modos multijogador online que se apresentam nos habituais Deathmatch e Team Deathmatch, sendo possível desbloquear as versões “hardcore” desses modos depois de somar um determinado número de mortes. O modo Gang Wars é inédito, contando uma estória à medida que se desenrola. A estória é narrada por Max e é algo bastante básico, mas abre as possibilidades para o futuro para modos multijogador que contem estórias mais desenvolvidas.

O que torna o multijogador de Max Payne 3 em algo ligeiramente diferente do habitual, é que a Rockstar decidiu transportar a câmera lenta do modo estória para aqui. Para que funcione, quando um jogador ativa a câmera lenta, o jogo abranda para todos os outros jogadores. Pode parecer incomodativo, mas até que não é, pelo menos quando não é usado várias vezes seguidas por jogadores diferentes.

Para manter o jogador agarrado durante muito tempo, existe muito para desbloquear com a subida de nível, como armas mais mortiferas, acessórios para o avatar e power-ups. O nível das armas também pode evoluir, para isso basta que utilizem a mesma arma frequentemente.

No que toca a longevidade para além do modo estória, Max Payne 3 está bem servido. Para além de um multijogador bastante competente, divertido e sem problemas de matchmaking ou latência, há ainda o modo Arcade que acaba por se revelar um autêntico vício. Neste modo poderão desfrutar dos níveis do modo estória sem as cinemáticas e a competir nas leaderboards pela melhor pontuação, e no sub-modo “New York Minute”, têm apenas um minuto para terminar um nível, mas podem aumentar o prazo ao alvejar na cabeça os inimigos.

No final de contas, Max Payne 3 é para o bem e para o mal, fiel aos jogos anteriores desenvolvidos pela Remedy. Nas mãos da Rockstar adquiriu um sabor mais tropical ao ter o Brasil como pano de fundo, o que lhe garante de certa forma alguma frescura. Com a cara já cheia de rugas e a idade a pesar, é difícil sequer pensar que Max esteja pronto para mais ação. Desta forma, Max Payne 3 é uma uma excelente despedida, mas acaba por não ser tão relevante como em outrora, sem ter nada para ensinar aos “novos” shooters.

 

Fonte: Eurogamer

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Autor

Filipe Almeida

Criador e fundador do Portal Xbox Portugal juntamente com a "PXP Team". O Portal Xbox Portugal foi criado com o objectivo de recolher informações e notícias sobre o mundo da Xbox e juntar tudo num local para que tem interesse por esta plataforma, ter tudo filtrado num único sítio.