Inversion – Análise

11 de Julho de 2012
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Inversion – Análise

Um shooter que brinca com a gravidade.

 

Versão testada: Xbox 360

O sucesso de Gears of War é invejável, e mesmo que este shooter dude-bro da Epic Games não seja, por alguma razão, do vosso agrado, é inegável que é uma formula vencedora. Os números provam isso mesmo. Antes da chegada de Gears of War 3, com apenas dois jogos, a série já acumulava 12 milhões de unidades vendidas, e depois da chegada de Gears of War 3, esse número aumentou para 15 milhões no espaço de uma semana. Não é surpreendente que hajam jogos a tentar aproveitar, nem que seja uma parcela, o sucesso de Gears of War. Alguns já tentaram e falharam, e agora é a vez de Inversion tentar a sua sorte.

Inversion é um novo third-person shooter da Namco Bandai desenvolvido pela Saber Interactive, o estúdio responsável por TimeShift e Halo: Combat Evolved Anniversary. É impossível não fazer comparações com Gears of War, as semelhanças estão à vista. Não se trata apenas do uso de um sistema cobertura igual ao usado em Gears of War, e que posteriormente foi usado por variadíssimos outros jogos, as armas lembram de imediato o shooter da Epic Games, a forma como a personagem corre e a perspetiva que a câmara assume nesses momentos.

Mas Inversion tenta misturar algo original alterando o plano em que se joga. Em certos pontos pré-determinados do jogo, a perspetiva muda e as paredes tornam-se o chão que pisamos. O efeito é algo fantástico e confuso ao mesmo tempo, principalmente quando há inimigos em planos diferentes. Sem revelar spoilers, não é possível explicar como é possível modificar o sentido da gravidade, e durante uma parte considerável do jogo o jogador é mantido às escuras relativamente a este assunto, até que a dado ponto é feita uma revelação surpreendente.

O inimigo em Inversion são os Lutadore, um raça semelhante aos humanos mas mais musculados e feios. Os Lutadore aparecem misteriosamente e sem aviso prévio na cidade de Vanguard, causando o caos. Davis Russel e Leo Delgado são dois polícias de serviço que se veem metidos no meio da confusão. David corre de imediato para casa para tentar salvar a sua filha, mas não consegue nada mais que um breve relance antes de ser aprisionado pelos Lutadore.

Toda a campanha pode ser jogada a solo ou em modo cooperativo. No entanto, a estória foca-se apenas em Davis e na sua jornada por um mundo devastado para encontrar a sua filha. Leo é apenas um ajudante que não contribui substancialmente para a narrativa. A narrativa torna-se interessante porque não dá as cartas logo de uma vez. Durante muito tempo não sabemos de onde vêm os Lutadore ou de que forma conseguem manipular a gravidade, aumentando a curiosidade e interesse de capítulo para capítulo.

Além de alterar os planos, jogando com a horizontal e verticalidade, Inversion também introduz uma arma capaz manipular a gravidade que tem o nome de Gravlink (Half-Life 2?). Disparem esta arma contra os inimigos e por breves momentos estes flutuam no ar completamente desprotegidos. A arma permite puxar qualquer objeto para nós, enquanto envolvido no efeito de gravidade zero, inimigos incluídos, e atirá-los em qualquer direção. Ao princípio apenas se consegue levantar pequenos objetos, mas depois de algumas melhorias, até carros voam.

Carregar no R3 resulta em ativar um modo alternativo de gravidade. Os modos são facilmente distinguíveis graças à cor que os cabos da Gravlink assumem. Em gravidade zero fica azul. Quando em gravidade reforçada, que impede os inimigos de se moverem ou por vezes os esmaga, verão a cor vermelho. Na dificuldade normal, podem passar o jogo sem recorrer à Gravlink, ou seja, jogando-o como qualquer outro shooter, com a exceção dos confrontos com os bosses. Nestas situações é absolutamente necessário recorrer à força da gravidade (ou ausência dela) para sobreviver. Porém, jogar sem usar a Gravlink tem tanta piada como jogar Bulletstorm como um FPS qualquer.

Alternando com partes em que temos os pés bem assentes no solo, existe secções de gravidade zero em que a movimentação é entre os objetos flutuantes, que quando os inimigo aparecem nestes momentos, também servem de proteção. Momentos de frustração podem ocorrer. A movimentação entre objetos é lenta e a personagem nem sempre responde de imediato ao que queremos fazer, e quando se está debaixo de fogo inimigo, é fácil perder a paciência. Quando funciona devidamente, andar aos tiros em gravidade zero é uma maravilha.

Embora vá buscar ideias a Gears of War, Inversion apresenta ideias interessantes que lhe garantem um sabor distinto quando em comparação com o shooter a que foi buscar inspiração em algumas mecânicas. É pena que a aposta nas secções que o tornam distinto não seja grande. Na maior parte do tempo, Inversion é um shooter semelhante a Gears of War e está longe de ser brilhante. Sem dúvida que as partes que mais gozo me deram foram aquelas em que a gravidade é virada do avesso.

Curiosamente, Inversion não usa o Unreal Engine 3, mas sofre dos mesmos problemas: carregamento de texturas no início de alguns níveis e cinemáticas. Em vez disso, o jogo usa o motor desenvolvido pela própria Saber Interactive, o Saber3D engine. Os resultados obtidos em Inversion não são maus, mas estão longe de serem impressionantes. Alguns dos níveis são bastante genéricos e a abundância de texturas fracas é assustadora. Foi dada especial atenção à Gravlink, sempre visível com bom detalhe nas costas Davis e Leo, de resto, não há nada a destacar.

O multijogador é hoje fundamental para qualquer shooter que queira ter a mínima hipótese de sucesso num mercado dominado por grandes tubarões, e Inversion não foge à regra. Nos modos não há nada de inovador, se bem que haja algumas variações.

Nos modos deathmatch e team deathmatch podem usar a Gravlink como usariam na campanha, o que lhe garante algo diferente quando em comparação com estes mesmos modos em outros jogos e também uma estratégia diferente. No modo survival não terão que sobreviver a múltiplas vagas de inimigos, mas antes avançar de área em área eliminando os inimigos no período de tempo limitado. O modo Hourglass, uma variação do King of the Hill, é o mais distinto dos modos disponíveis. Assim que uma das equipas captura um dos pontos do mapa, tudo fica virado do avesso. Se a outra equipa capturar esse ponto, o mapa vira novamente. No fundo, é como se houvessem dois mapas diferentes num só mapa.

Não consigo deixar de gostar de Inversion, apesar de reconhecer que falta-lhe sobretudo mais ambição e confiança nas suas ideias, que seria preferível de que recorrer às ideias de outros. Está longe de ser capaz de fazer frente aos melhores do género, mas há momentos em que consegue criar alguma magia e mostra que tem potencial para evoluir para algo maior. O final é deixado em aberto (vejam os créditos até ao final), dando um pouco de esperança para uma eventual sequela.

 

Fonte: Eurogamer

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Comentários

  • rick

    como eu entro no modo co-op para entrar com o 2° jogador (leo) sem estar online? dá pra jogar de dois?

    • Filipe Almeida

      Olá Rick, gostaria de te ajudar, mas infelizmente não tenho o jogo 🙁

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Autor

Filipe Almeida

Criador e fundador do Portal Xbox Portugal juntamente com a "PXP Team". O Portal Xbox Portugal foi criado com o objectivo de recolher informações e notícias sobre o mundo da Xbox e juntar tudo num local para que tem interesse por esta plataforma, ter tudo filtrado num único sítio.