Grand Slam Tennis 2 – Análise

11 de Março de 2012
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Grand Slam Tennis 2 – Análise

A febre dos grandes torneios.

 

Versão testada: PlayStation 3

Pode ter demorado quase dois anos, mas finalmente chegou para a PS3 e Xbox 360 a sequela do original lançado para a Nintendo Wii em 2009. Aquando do lançamento de Grand Slam Tennis a EA Sports previa lançar idêntico jogo para as outras consolas, mas isso não aconteceu. A opção passou por fazer um jogo novo e nesse percurso a Nintendo Wii acabou por ser preterida, talvez porque a intenção da EA fosse desenvolver os jogos de acordo com a potencialidade das consolas. Enquanto que a versão Wii de Grand Slam Tennis se compatibilizou exclusivamente aos comandos por movimentos e apresentou os tenistas por via de uma composição altamente caricatural, já a sequela revela uma previsível entrada no realismo e na captura de movimentos, ao mesmo tempo que a jogabilidade se situa algures entre o arcade e a simulação.

Com Grand Slam Tennis 2 é por demais evidente que a EA Sports quer disputar o espaço que até aqui tem sido dominado pelos dois maiores concorrentes, Virtua Tennis 4 e Top Spin 4, os jogos chave do segmento. É certo que a EA Canada está menos experimentada na edição dos jogos de ténis, pelo que é expectável que a margem de progressão ainda seja grande. A ideia com que ficamos após testarmos Grand Slam Tennis 2 é precisamente de um jogo que ainda se mostra limitado, faltando-lhe um modo carreira mais diversificado e mais algum trabalho para garantir uma jogabilidade equilibrada pois tanto podemos ter jogos bastante acessíveis e ganhos sem grande complicação como a dada altura a dificuldade sobre de escala e liquida quase todas as hipóteses de sucesso graças a uma inteligência artificial que não dá a mínima chance.

Este jogo tanto é compatível com os comandos por movimentos como também pode ser jogado de forma mais tradicional, embora no recurso ao comando permita jogar assumir comandos inovadores. Mas se a versão para a PS3 permite fazer do Move uma espécie de raquete, já a versão para a Xbox 360 não está adaptada ao Kinect, sendo assim um dissabor para os fãs da marca de Redmond que julgavam ter aqui mais um jogo “friendly” com a captura de movimentos.

O glamour do Grand Slam

Quatro torneios constituem a principal atracão do jogo e aproximadamente duas dezenas de tenistas mundiais e lendas do Grand Slam emprestam corpo, rosto e genuína emoção às partidas de ténis. De Wimbledon ao Open de Nova Iorque, a reprodução dos torneios que perfilham o Grand Slam é uma das mais valias. Mas se à partida este conteúdo é por si suficiente para despertar a atenção dos fãs dos jogos de ténis, também é por aí que nos apercebemos da dimensão algo reduzida do jogo. Depois de esgotados os torneios de Wimbledon, Roland Garros, Australian Open e US Open terão apenas mais quatro torneios não oficiais, Shangai, Geneva, Dubai e Brighton, torneios que contam com apenas um court e sem os tradicionais campos de apoio.

A apresentação de Grand Slam Tennis 2 através dos menus será toda familiar para os conhecedores de outros produtos da marca. As grelhas são quase uma reprodução do que podemos ver nos produtos da série FIFA, sendo muito idênticas em termos de design e estrutura. Isso não é mau, até pelo contrário, já que a organização do quadro de opções é boa e leva-nos diretamente aos modos de jogos principais. Outra coisa não seria de esperar da EA senão uma definição humana e bastante detalhada dos tenistas atuais integradores do ATP assim como as senhoras do WTA, sem esquecer as lendas como Boris Becker, Pete Sampras, John McEnroe e Martina Navratilova, entre outros. Mas aqui há tenistas que estão melhor reproduzidos que outros. Nadal e Federer, por exemplo, estão bem modelados. Já Pete Sampras não tem o rosto tão fiel ao original e não parece tão alto como é na realidade. Não obstante alguns tenistas se encontrarem melhor modelados do que outros, há uma definição geral dos atletas bastante boa, mas mais poderá ser feito no futuro.

Às figuras centrais que emprestam rosto ao jogo, será acrescentado mais um ou vários tenistas criados no modo editor. Este tenista criado a gosto pelo jogador será opção válida para o modo carreira. Pode ainda ser utilizado em partidas amigáveis e também nos jogos on line. A pontuação que alcançarem no final de cada jogo, contra o computador ou em rede, contará para a progressão do tenista em vários parâmetros como velocidade, resistência e força, características que afectarão a evolução do jogador.

O modo carreira é a principal atracão do jogo. Nele o jogador será convidado a cumprir 10 épocas de Grand Slam, supondo que esse será o tempo útil de atividade profissional de um tenista. Na prática o jogador poderá disputar os torneios especiais antes de participar em renomeadas provas como Wimbledon ou Roland Garros. É aqui que o modo carreira contraria aquela que seria a progressão normal de uma futura estrela do ténis. Depois de passar pelos torneios preliminares vencendo os adversários numa dificuldade escassa, é possível ganhar os grandes torneios eliminando na final adversários que lideram o ranking, o que acaba por ser algo contraditório a menos que o tenista rookie seja sobre-dotado. Não sendo esse o caso fica a clara impressão que os produtores podiam ter sido bem mais engenhosos na construção do modo carreira. As finais acrescentam sempre alguma emoção, mas nas primeiras temporadas não será complicado subir no ranking mesmo que joguem contra os adversários cotados no topo do ranking. Nas temporadas imediatas o equilíbrio será maior, mas a rotina de progressão é a mesma.

Por cada vitória o tenista em formação arrecada pontos e sobe no ranking. Pelo contrário, se perder jogos será penalizado e cairá alguns degraus. Há alguns incentivos, por via de pontos, se forem atingidos objetivos adicionais, como executar pontos consecutivos com batidas para o fundo do campo, conquistando ases e fazendo top spins de sucesso. Porém, tudo isto em pouco tempo será rotineiro e não haverá muito mais a fazer quando descobrirem tudo o que uma temporada tem para oferecer.

Os adversários controlados pelo computador reagem bem ao nosso jogo. Na dificuldade profissional tende a ser asfixiante e mesmo que joguem para o fundo do campo com batidas fortes o adversário tem uma tendência para se aproximar da rede e fechar o ponto, quase sempre com sucesso. Alguns jogos tendem a demorar demasiado, sem que haja visível cansaço por parte dos tenistas, levando a que alguns jogos perdurem demasiado no tempo.

Jogabilidade arcade ou de total domínio

Grand Slam Tennis 2 oferece 3 tipos de comandos; arcade, total racquet control e Move. Começando pelo total raquete control, será o que vão encontrar de mais próximo da simulação, mas também o mais complexo e exigente. Para ficarem a dominar melhor todos os movimentos é preferível que treinem usando o lançador de bolas automático ou então tenham aulas com John MacEnroe, cujos comentários poderão a dada altura tornar-se severamente irritantes. Em termos práticos o esquema funciona da seguinte forma: o botão analógico direito permite efetuar as pancadas regulares, implicando que puxem para trás no momento em que se preparam para acertar na bola e depois para a frente na direção desejada. Consoante puxem para a frente ou deixem ficar na mesma posição, haverá maior ou menor profundidade. O botão analógico esquerdo permite controlar o jogador.

Este sistema apesar de bem adaptado ao comando não é um campeão da eficácia, complicando mais do que devia. Implica sobretudo que sejam cirúrgicos quanto ao “timming” e colocação do tenista quando se prepara para receber a bola. Falhem um destes pressupostos e o que pretendiam fazer sai de forma irregular, para não usar expressão mais severa. Já os controlos arcade revelam uma forte semelhança com os de Virtua Tennis 4. Aqui irão usar os botões para efectuar diferentes pancadas. Quanto mais tempo pressionarem os botões mais potente sairá a pancada. O serviço também se efectua de forma algo distinta. Começam por apertar um botão para servir. Se apertarem por muito tempo uma zona de cobertura vai encolhendo diante do vosso tenista e depois devem voltar a premir o botão no momento em que uma linha atravessa essa zona. Se forem certeiros conseguirão efectuar um bom serviço e poderão concretizar um ás.

Comandar o tenista através do Move revela-se um exercício simples e globalmente satisfatório. As deslocações à bola passam a ser realizadas de forma automática enquanto que as pancadas traduzem com moderada precisão os vossos movimentos. Por vezes há alguma tendência para fazer movimentos a mais sem que o computador traduza devidamente o movimento e outras vezes a bola afasta-se um pouco da trajectória solicitada, mas nada que manche o sistema. Nas partidas mais complicadas é preferível recorrer ao esquema arcade, aquele que menos falha.

Grand Slam Tennis 2 proporciona mais alguns modos de jogo individuais antes de arrancarem para o lado competitivo em rede. Entre os modos individuais o destaque vai para os clássicos do ESPN. Nestes jogos serão convidados a completar alguns grandes momentos da história do Grand Slam como a final entre as irmãs Venus e Serena Williams. Conseguirão reescrever a história ou mudar o curso dos acontecimentos? Dentro da vertente on line poderão jogar em singles ou pares com outros adversários do mundo, mas talvez o mais interessante seja participar em torneios, atribuindo peso às eliminatórias. Tirando algumas desconexões e quebras na ligação da praxe em certos momentos, a impressão é bastante positiva e é possível obter partidas bem renhidas.

John McEnroe e Pat Cash são os dois comentadores de serviço. Ambos escrutinam com emoção as incidências da partida. Alguns comentários são prolongados, oferecem algum dinamismo e encontram conforto na sequência de imagens que chegam do court, mas se falharem alguns lances ou disputarem as bolas da mesma forma irão ouvir repetidas vezes o mesmo recado, o que acaba por se tornar desagradável e prejudicar a concentração.

Grand Slam Tennis 2 é uma oferta que apresenta os seus próprios méritos e revela o interesse da EASports em chegar perto de outras séries que marcam o género. Não sendo verdadeiramente um simulador embora sem conceder totalmente a uma feição arcade, permite que o jogador defina o seu estilo de jogo e as opções do raquete control e move contam a favor, mesmo se a primeira ainda não tem a desejável eficácia. A limitação em termos do modo carreira e de opções revela que estamos perante uma série em progressão. É provável que em pouco tempo a EA Sports regresse a Grand Slam e nessa altura trará mais experiência a jogo. Por enquanto uma aposta bastante digna.

 

Classificação:

7/10 ou 3.5/5

 

Fonte: Eurogamer

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Autor

Filipe Almeida

Criador e fundador do Portal Xbox Portugal juntamente com a "PXP Team". O Portal Xbox Portugal foi criado com o objectivo de recolher informações e notícias sobre o mundo da Xbox e juntar tudo num local para que tem interesse por esta plataforma, ter tudo filtrado num único sítio.