FIFA Street – Análise

18 de Março de 2012
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FIFA Street – Análise

Futebol de rua autêntico.

O futebol de rua não é um fenómeno mediático de milhões de euros, mas é a génese do futebol e algo com que nos relacionamos facilmente. Aliás, é provável que muitos de vocês nunca tenham jogado futebol de 11, mas ao mesmo tempo que é difícil encontrar quem nunca tenha jogado futebol de rua. No recreio, na praia, contra a garagem de casa ou no pavilhão da escola, o futebol de rua é parte integrante da cultura de vários povos e assume formas distintas. Sim Electronic Arts, um simulador de Futebol de rua é uma boa ideia, e não precisam de exagerar no lado artístico para conquistar o nosso interesse.

Assim, após uns anos de ausência FIFA Street está de volta, e o facto de não apresentar explicitamente o número 4 à frente do nome é a primeira prova de que assume uma abordagem diferente das anteriores, como que um “reboot” da série. A equipa de desenvolvimento foi dirigida por Gary Paterson, considerado como um dos maiores responsáveis pelo crescimento da franquia FIFA Football (ou apenas Fifa) nos últimos anos. E o motor de jogo utilizado foi o mesmo de FIFA 12, com alguns ajustes e adições claro, mas a qualidade de aspetos como as animações ou o sistema de choque continua no mesmo padrão do simulador “principal”.

Percebe-se a abordagem mais “sóbria” neste FIFA Street logo a nível visual, a estética animada que conhecíamos dos títulos anteriores foi abandonada em detrimento de um estilo mais autêntico e realista, que retrata de forma fiel os clubes, jogadores e ambientes deste desporto. Os modelos dos jogadores por exemplo são os mesmos de FIFA 12, ainda que com algumas diferenças em termos de animações que discutiremos mais à frente. Sendo um título com a licença FIFA, temos as várias seleções e clubes oficiais disponíveis, mas infelizmente apenas a seleção Portuguesa marca presença, os clubes ficaram de fora.

Os cenários estão competentes, mas principalmente muito variados. FIFA Street optou por recriar o futebol de rua nas suas múltiplas vertentes, desde as praias do Rio, passando por parques de estacionamento, campos de relva sintética e até a única vertente deste desporto reconhecida oficialmente, o Futsal. Para tal faz uso de 35 localizações diferentes. Londres, Nova Iorque, Amesterdão e Shangai são apenas alguns dos exemplos identificáveis, e estes não servem apenas como pano de fundo para a ação, mas têm cada um a sua própria especificidade de gameplay.

Apesar da ênfase colocada numa maior autenticidade, a jogabilidade continua virada para o arcade, num estilo de gratificação constante, e um ritmo tão rápido que mesmo os melhores jogadores do mundo teriam dificuldade em acompanhar. O que muda aqui é que a jogabilidade não transmite a sensação de exagero que caracterizou os títulos anteriores da série. Basicamente a decisão foi no sentido de manter a jogabilidade centrada na componente dos truques e fintas, mas ao mesmo tempo garantir que os movimentos tenham correspondência na vida real, seja algo possível de executar.

Neste tipo de futebol humilhar o oponente é quase tão satisfatório como marcar um golo, e para isso FIFA Street disponibiliza uma montanha de possibilidades. O comportamento da inteligência artificial vai no sentido de estar sempre a forçar o “um contra um”, e mesmo o sistema de drible (street dribble) foi adaptado para que seja possível manobrar em qualquer direção mas mantendo sempre o jogador direcionado para o adversário. Isto convida-nos a ir para cima dos oponentes, e torna o ritmo mais rápido por estar sempre a orientar a ação para a baliza adversária.

O jogo tem a vantagem de ser acessível numa primeira fase, com o domínio do drible já é possível efetuar túneis e fintas de corpo aos adversários. Mas depois existe imenso espaço para evolução do nosso futebol, com vários truques e modificadores que acrescentam brilho aos movimentos dos jogadores. Um dos “gatilhos” serve para prender o pé de apoio do jogador ao chão, e depois com o direcional movemos a bola para qualquer direção como que para atrair o adversário a fazer o primeiro movimento, só para explodirmos numa outra direção deixando o defesa pregado ao chão, ou até para lhe colocar a bola entre as pernas. É delicioso contra um amigo (melhor ainda contra o chefe).

Depois existe toda uma panóplia de fintas com o analógico direito, não consigo precisar quantas, mas a piada está mesmo em ir experimentando. Também podemos por exemplo dar toques com a bola durante o jogo, e depois fazê-la passar por cima do adversário quando este se aproximar. É tudo uma questão de imaginação e alguma prática. Mas o que torna esta reencarnação de FIFA Street especial não são os truques, estes já existiam de sobra nos títulos anteriores da série. O que distingue este FIFA Street é a variedade equilibrada de gameplay.

Esta variedade deve-se ao maior cuidado em tornar a experiência credível, mas principalmente às diversas vertentes de futebol de rua que FIFA Street oferece. Claro que continua a ser possível pegar num jogador e fintar toda gente até ao golo. Mas nos desafios mais difíceis os defesas fecham bem os espaços, obrigando-nos a procurar outras opções como trocar a bola ao primeiro toque, fazer desmarcações, cruzamentos ou remates de longe. Aliás, dominar o jogo em equipa é tão importante como sermos fortes no um contra um. Depois cada estratégia é mais ou menos eficaz mediante o tipo de recinto e tipo de modo que estejam a jogar.

Isto torna os jogos sempre diferentes e empresta profundidade a FIFA Street. O futebol de rua com tabelas por exemplo é completamente diferente do futsal, não existem faltas, o ritmo é muito mais rápido, e é aconselhável usar as tabelas para efetuar fintas ou passes improváveis. O modo “Hit the Streets” permite fazer partidas singulares com regras pré-definidas, ou podemos mesmo ser nós a decidir quais as condições para o jogo, escolhendo o número de jogadores em cada equipa (até 6 elementos) e o objetivo para a vitória.

Além do tradicional jogo cronometrado em que ganha quem marca mais golos dentro do tempo limite, podemos decidir que ganha quem marcar X número de golos, temos também um modo onde é atribuída uma pontuação pelas habilidades que vamos fazendo e ganha quem chegar primeiro a determinado “score”. Temos também um modo em que vamos perdendo um elemento por cada vez que marcamos golo, e ganha quem ficar primeiro com zero elementos. E por último o curioso modo “panna”, em que por cada finta ganhamos um ponto para o nosso “bank”, e depois quando marcamos golo ele vale o total desse mesmo “bank”. O curioso é que se for o adversário a marcar perdemos a nossa “stack” e temos que recomeçar, o que atribui um fator de risco às partidas e permite recuperar facilmente de grandes desvantagens.

Esta diversidade nas regras de jogo beneficia ainda dos vários tipos de recinto disponíveis no jogo, cada um com as suas especificidades próprias. Existem campos de vários tamanhos, tipos de piso diversos e balizas de tamanhos diferentes. Os jogadores é que parecem se comportar de igual forma independentemente do tipo de jogo ou recinto. É um futebol jogado em espaços muito mais curtos, que promove a rapidez de reação, e o “timing” correto para determinada finta ou desarme de bola.

O aspeto que precisará de maior dedicação por parte dos produtores no futuro é a Inteligência artificial dos nossos companheiros de equipa, particularmente dos guarda-redes. Com os oponentes não há grande problema, defendem bem nos níveis de dificuldades mais elevados. Já os nossos colegas é que por vezes parecem ter dificuldades em entender as nossas intenções, escondem-se atrás dos adversários, recusam-se a “entrar” para receber um passe, enfim preparem-se para berrar com a IA frequentemente.

O sistema de passe é completamente livre, e possui uma barra para controlar a potência que colocamos na bola. No futebol de rua os guarda-redes têm uma participação bastante ativa no jogo, coisa que sinceramente não notei em FIFA Street. Sim é possível jogar ou sair da baliza com os guarda-redes, mas o comportamento destes não é muito confiável, aliás, tive alguns momentos de estupefação graças a eles, recusar agarrar a bola, abraçar o poste ou passar a bola ao adversário são alguns dos brilharetes que me recordo.

Uma pergunta legítima que poderíamos colocar era se a simulação de futebol de rua não poderia ser por exemplo, parte integrante do título anual da série FIFA. Julgo que seria muito difícil. Este FIFA Street oferece conteúdo suficiente para um “standalone product”, e a especificidade do gameplay diverge bastante de FIFA 12. E depois claro há o modo World Tour, a principal atração do jogo.

Neste modo vestimos a pele de um jogador, criamos um pequeno clube e vamos conquistando o nosso lugar desde o bairro onde vivemos até aos maiores palcos internacionais. O sistema de personalização do jogador foi retirado do editor de FIFA 12 e por isso está muito completo. Já a personalização do clube é algo limitada, o emblema por exemplo tem que ser escolhido entre vários modelos pré-definidos, e depois apenas podemos mudar a cor, colocar uma letra à frente e pouco mais.

Podemos escolher começar a nossa “carreira” num de 7 países diferentes, cada um com vários eventos, torneios e desafios para nos entreter. É possível personalizar os vários membros da equipa como quisermos, podem por exemplo retratar a equipa da vossa turma, ou amigos lá da rua se assim entenderem. Inicialmente os jogadores são autênticas “tábuas”, mas à medida que jogamos, ganhamos “style points” para subir as características base dos jogadores, desbloquear novos truques ou até celebrações para os golos. É um sistema de progresso bastante simples mas interessante.

Mas este sistema de progresso não é o único elemento que incentiva a continuar o World Tour. Por cada evento existem três medalhas (bronze, prata e ouro), correspondentes a diferentes níveis de dificuldade e cada um com a sua própria recompensa. São por isso três elementos para desbloquear por cada evento na Tour, ou seja, são montanhas de recompensas, casacos, calças, bonés, chuteiras, recintos, equipas especiais, enfim em termos de longevidade este modo oferece imensos motivos para continuar a jogar, seja pelo desafio de algumas das medalhas de ouro ou pelas recompensas.

O melhor é que depois podemos levar a nossa equipa para o modo online onde é possível competir com outros jogadores espalhados pelo mundo. O jogo é compatível com o EA Sports Football Club introduzido em FIFA 12, e terá direito a sistema de progressão transversal aos vários títulos de futebol da EA. A funcionalidade “Street Network” oferece ainda a possibilidade de fazer pequenos vídeos com as vossas melhores jogadas para depois partilhar com os amigos.

Nunca fui grande fã dos títulos FIFA Street, onde os truques e fintas predominavam de tal forma que a experiência se tornava demasiado artificial. Por vezes perecia mais um espetáculo de circo do que um jogo de futebol por assim dizer. Fiquei genuinamente surpreso logo que fizemos umas partidas aqui na redação, é evidente a mudança de direção na série para o lado mais autêntico, ao mesmo tempo que se nota a preocupação em oferecer uma experiência fundamentalmente diferente da que conhecemos do título “principal” da série FIFA. Existem alguns problemas, a IA leva-nos à loucura por vezes, mas é imensamente divertido, e isso é exatamente o que procuramos num jogo de futebol de rua.

 

CLASSIFICAÇÃO

8/10 ou 4/5

 

Fonte: Eurogamer

 

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Comentários

Autor

Filipe Almeida

Criador e fundador do Portal Xbox Portugal juntamente com a "PXP Team". O Portal Xbox Portugal foi criado com o objectivo de recolher informações e notícias sobre o mundo da Xbox e juntar tudo num local para que tem interesse por esta plataforma, ter tudo filtrado num único sítio.